Eu Quero Agora!
Era uma manhã ensolarada na floresta. O ar cheirava a terra molhada, e a brisa fresca fazia as árvores dançarem devagar. Perto da cerquinha, o esquilo Tico cuidava com carinho de um canteiro de terra fofa.
O Lobombom e o coelho Zeca chegaram saltitando. O lobinho arregalou os olhos ao ver uma frutinha pequena entre as folhas.
“Olha, Zeca! Um moranguinho! Vou comer agora mesmo!”
O Tico deu um pulo e estendeu a pata com cuidado. “Calma, Lobombom. Esse morango acabou de brotar. Está verde e duro. Se você comer agora, sua boca vai amargar. O sol precisa fazer o trabalho dele.”
O Zeca mexeu o focinho, concordando. “É verdade, Lobombom. Fruta colhida com pressa não tem docinho nenhum.”
Mas a vontade do Lobombom era grande demais. Ele cruzou os braços, estufou as bochechas, bateu a pata no chão e reclamou: “Eu não quero esperar! Quero o morango agora, agora, agora!”
Quando o Tico e o Zeca foram buscar água no riacho, a teimosia falou mais alto. O Lobombom puxou a frutinha verde do galho e mordeu. Nhac!
A cara do lobinho se franziu inteira. Os olhos fecharam, a língua foi para fora, e ele cuspiu o pedaço na grama. O morango verde era duro, amargo e azedo como casca de limão!
“Eca! Que coisa horrível!”, resmungou o Lobombom, limpando a boca na manga.
Com um bater de asas suave, a coruja Judith pousou na cerca. Ajeitou os óculos e disse com calma: “Lobombom, as coisas doces da vida não combinam com correria. A fruta precisa de sol e de sereno para crescer. Querer tudo na mesma hora só estraga o presente que está sendo preparado.”
O Tico voltou com uma folha cheia de água fresca para o amigo e entregou a ele uma pazinha de madeira. “Em vez de ficar parado sofrendo, a gente cuida do caminho! Vamos brincar e ajudar a terra!”
O Lobombom começou a afofar a terra, o Zeca regou as plantinhas, e logo estavam rindo e brincando de pega-pega. Cuidar e brincar fez o tempo voar.
Os dias passaram. O sol aqueceu as folhas, e o morango cresceu, ficou dourado e depois vestiu um vermelho brilhante. Numa manhã perfumada, a fruta se soltou sozinha na pata do Lobombom. Ele provou: era doce como mel!
“Deu certo! O tempo deixou tudo perfeito!”, comemorou, dividindo o morango com o Tico e o Zeca.
A Judith sorriu lá do alto. Há um tempo certo para tudo. Bater o pé não apressa a vida, mas saber esperar com alegria faz a recompensa valer a pena.
O que essa história ensina
- Cada coisa tem o seu tempo certo, e a pressa estraga o que ainda está sendo preparado.
- Enquanto espera, dá para fazer algo bom: cuidar, ajudar e brincar.
- Esperar com alegria deixa a recompensa ainda mais doce.
Para fazer junto
Plantinha da paciência (2 semanas). Plantem juntos um grão de feijão num copinho com algodão molhado. Todo dia, a criança rega um pouquinho e desenha como a plantinha está. Quando bater a vontade de “quero agora”, lembrem do moranguinho do Lobombom.
Para a hora da birra: combine uma frase da família para os momentos de pressa, como “o sol ainda está trabalhando”. Ela ajuda a criança a lembrar da história e a respirar antes de bater o pé.
Na próxima birra, não discuta na hora. Espere a criança se acalmar, respirem juntos e conversem: "Lembra do moranguinho verde do Lobombom? O que aconteceu quando ele não quis esperar?". Depois, ofereça algo para fazer enquanto espera, como o Tico fez.
Versículo“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1